El Siglo Futuro - OMS acredita que haverá mais casos de hantavírus por surto em cruzeiro

Madrid -
OMS acredita que haverá mais casos de hantavírus por surto em cruzeiro
OMS acredita que haverá mais casos de hantavírus por surto em cruzeiro / foto: © AFP

OMS acredita que haverá mais casos de hantavírus por surto em cruzeiro

A OMS confirmou, nesta quinta-feira (7), cinco casos de hantavírus e vê como "possível" a detecção de outros devido ao surto mortal no cruzeiro no Atlântico, mas espera que seja "limitado" se forem tomadas precauções.

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O MV Hondius gerou um alerta sanitário por um surto de hantavírus, transmitido por fezes, urina ou saliva de roedores infectados e para o qual não há tratamento nem vacina.

Acredita-se que um passageiro tenha contraído o vírus antes de embarcar na Argentina e infectado outras pessoas a bordo. Ao menos três passageiros morreram: um casal holandês e uma alemã.

As autoridades sanitárias insistem no "baixo" nível de risco epidêmico porque o vírus é menos contagioso que a covid-19, mas estão rastreando os possíveis contatos de alguns passageiros que desembarcaram antes do navio.

O navio segue rumo à ilha canária de Tenerife, onde deve chegar no domingo ao meio-dia, segundo o site de monitoramento Marine Traffic, para evacuar os passageiros.

"Em nenhum caso atracará, apenas ficará fundeado", indicou o presidente da região das Canárias, Fernando Clavijo, favorável a que a operação de desembarque tivesse sido realizada em Cabo Verde, em cuja costa o navio ficou imobilizado por vários dias.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, elevou para cinco os casos confirmados de hantavírus, além de três suspeitos.

"Considerando o período de incubação do vírus Andes, que pode chegar a até seis semanas, é possível que mais casos sejam reportados", acrescentou, em referência a uma cepa presente na América Latina, a única em que foram documentados casos de transmissão entre pessoas.

O diretor de alerta e resposta a emergências da OMS, Abdi Rahman Mahamud, insistiu, no entanto, que o surto será "limitado se as medidas de saúde pública forem implementadas e houver solidariedade entre todos os países".

As pessoas que se acredita terem contraído o vírus estão sendo atendidas ou estão em isolamento no Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, Suíça e África do Sul.

Duas pessoas evacuadas do navio na véspera e internadas nos Países Baixos testaram positivo para hantavírus, informaram nesta quinta-feira os hospitais que as atendem.

- "Não é o começo de uma epidemia" -

"Não é o começo de uma epidemia. Não é o começo de uma pandemia", ressaltou Maria Van Kerkhove, alta funcionária da OMS.

Tedros afirmou que a Argentina enviará 2.500 kits de diagnóstico a laboratórios de cinco países.

Após partir de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, o navio fez escala em várias ilhas remotas ao longo do trajeto.

A OMS diz ter informado 12 países de que alguns de seus cidadãos desembarcaram do MV Hondius em Santa Helena, onde o navio fez escala de 22 a 24 de abril.

São eles: Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia e Estados Unidos.

Segundo a empresa Oceanwide Expeditions, 30 passageiros desembarcaram, incluindo a primeira vítima fatal, um cidadão holandês que morreu em 11 de abril.

Três pessoas foram evacuadas do navio na quarta-feira e outra chegou nesta quinta-feira a Amsterdã, informou a operadora Oceanwide Expeditions.

"Não há pessoas com sintomas a bordo", afirmou em comunicado.

A vida no navio é "praticamente normal", afirmam dois passageiros franceses em um comunicado enviado a vários veículos, incluindo a AFP.

Segundo eles, quatro médicos "subiram a bordo para analisar a situação e preparar um possível desembarque nas Ilhas Canárias".

- "O moral melhorou" -

O diretor-geral da OMS contou que o capitão do navio lhe disse que "o moral melhorou consideravelmente desde que o navio voltou a se movimentar" rumo à Espanha.

As Canárias esperam o cruzeiro com inquietação, ainda marcadas pela pandemia de covid-19.

"Todo mundo está preocupado com o que o navio pode trazer", contou Cristo Álvarez, entregador de botijões de gás de 42 anos de El Médano. Ainda assim, como a maioria dos entrevistados, ressaltou que é preciso "ajudar" os passageiros do navio.

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T.Álvarez--ESF