EUA espera acordo sobre Estreito de Ormuz antes de quarta-feira
Os Estados Unidos afirmaram, nesta terça-feira (4), que esperam chegar a um acordo em breve para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica no centro das tensões entre Washington e Irã.
O Catar, mediador juntamente com Paquistão e Omã, declarou que os esforços para encontrar uma "solução de curto prazo que permita a retomada do diálogo" estão "em andamento", segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari.
Teerã negou qualquer diálogo, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha insistido na segunda-feira que as negociações estavam ocorrendo.
"Esta é a última chance deles de assinarem um bom documento", disse Trump a repórteres na Casa Branca.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ecoou os comentários do presidente, afirmando que Washington poderia chegar a um acordo com o Irã antes de quarta-feira.
"Estamos em negociações com os iranianos e acredito que existe a possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar para uma posição mais normalizada neste conflito", disse Bessent nesta terça-feira em entrevista à CNBC.
Questionado se um acordo permitiria ao Irã cobrar pedágio de navios, Bessent respondeu: "Acho que haveria liberdade de circulação".
- Queda dos preços do petróleo -
Após o anúncio, a expectativa de reabertura dessa passagem provocou uma queda nos preços do petróleo. Por volta das 10h35 (horário de Brasília), o preço do Brent do Mar do Norte caiu 4,25%, a US$ 80,21 (R$ 406,8) o barril, pouco depois de ter chegado a US$ 79,73 (R$ 404)
Seu equivalente nos EUA, o West Texas Intermediate (WTI), caiu 4,75%, a US$ 76,52 (R$ 388,08) o barril, após ter recuado mais de 5%.
Trump ameaçou o Irã com bombardeios na semana passada, antes de recuar abruptamente e garantir no domingo que as negociações com Teerã seriam retomadas na segunda-feira.
"Neste momento, não estamos negociando com os Estados Unidos. Estamos negociando com Omã para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz", declarou o porta-voz diplomático iraniano, Esmaeil Baqaei.
Anteriormente, Baqaei havia anunciado estar perto de um acordo com Omã, localizado do outro lado do Estreito de Ormuz, para reabrir essa via navegável crucial para o comércio global de hidrocarbonetos.
"Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota norte nem a sul — respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança", declarou.
A via está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra com os bombardeios dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
Enquanto isso, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram um ataque a um aeroporto da Arábia Saudita nesta terça-feira. O movimento pró-Irã já havia bloqueado a passagem de navios sauditas pelo Mar Vermelho, que servia como rota alternativa para o petróleo do maior produtor mundial.
- "Rendição total" -
O Irã afirmou que a situação em Ormuz não voltará a ser como antes da guerra, quando havia livre navegação, e que vai autorizar apenas uma rota de trânsito ao longo de suas costas. Também cogita cobrar um pedágio pela passagem, algo rejeitado por Washington.
O estreito foi reaberto por alguns dias após a assinatura de um protocolo de acordo em junho entre Washington e Teerã, que permitiu a saída de vários navios bloqueados durante meses e a gradual normalização do trânsito marítimo.
Mas o Irã voltou a endurecer sua posição com o bloqueio do estreito após a retomada dos ataques americanos.
Durante a noite de segunda-feira, um cargueiro foi atingido por um "projétil desconhecido", segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, que inicialmente não relatou feridos nem danos à embarcação.
Trump, no entanto, afirmou na segunda-feira que o estreito estava "totalmente controlado" pela Marinha americana e advertiu que o bloqueio imposto aos portos iranianos só será suspenso em caso de "acordo" ou de uma "rendição total".
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A.Fernández--ESF