Rodovias da Bolívia são desobstruídas após sete semanas de bloqueios
Autoridades da Bolívia informaram que as rodovias do país foram completamente desobstruídas nesta terça-feira (23), três dias depois da proclamação do estado de exceção destinado a pôr fim a sete semanas de protestos contra o governo.
Com a entrada em vigor da medida, o abastecimento melhorou em cidades como La Paz e a vizinha El Alto, as mais afetadas. No auge da crise, as autoridades chegaram a contabilizar até cem interrupções viárias.
O presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, decretou no sábado o estado de exceção para proibir os protestos e ordenou que policiais e militares limpassem as rodovias.
"Nossas estradas foram liberadas", informou, nesta terça-feira, em sua conta no X, o ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora.
Desde o início de maio, sindicatos, grupos indígenas e cultivadores de coca multiplicaram as manifestações e os bloqueios viários para exigir a renúncia de Paz, em um contexto de crise econômica, a mais grave em 40 anos.
Em uma declaração emitida nesta terça-feira, os Estados Unidos e outros 15 países do continente americano expressaram sua "profunda preocupação" com o impacto dos bloqueios e afirmaram que as tentativas de "minar e depor" o governo representavam uma "grave ameaça para a ordem constitucional e a estabilidade democrática" da Bolívia.
"Apoiamos o governo boliviano eleito de acordo com a Constituição e instamos os grupos mobilizados a priorizar o diálogo e a negociação dentro do marco constitucional", acrescentam no texto.
O presidente panamenho, José Raúl Mulino, afirmou, por sua vez, durante a Assembleia Geral da OEA no Panamá que o narcotráfico financia a "esquerda radical" na Bolívia. O crime organizado "busca subverter a ordem constitucional por meios violentos e ilegítimos", declarou.
O governo de Paz acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) de ter impulsionado os protestos e de tê-los financiado com dinheiro proveniente do narcotráfico, embora não tenha apresentado provas.
Os últimos pontos de bloqueio foram extintos, após Morales declarar sua suspensão temporária na segunda-feira. Todos estavam no departamento de Cochabamba, reduto do líder indígena no centro do país.
No começo de maio, organizações sociais iniciaram uma greve e interrupções viárias para exigir a saída de Paz e protestar contra a venda de gasolina de má qualidade.
R.Salamanca--ESF