El Siglo Futuro - Iniciativa Liberal propõe 24 medidas para ampliar oferta de habitação

Iniciativa Liberal propõe 24 medidas para ampliar oferta de habitação
Iniciativa Liberal propõe 24 medidas para ampliar oferta de habitação

Iniciativa Liberal propõe 24 medidas para ampliar oferta de habitação

O partido defende acelerar a construção, reduzir impostos, simplificar licenças e alterar regras do mercado de arrendamento.

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O partido defende acelerar a construção, reduzir impostos, simplificar licenças e alterar regras do mercado de arrendamento.

A Iniciativa Liberal divulgou um pacote de 24 medidas que considera darem resposta à "atual situação de emergência habitacional", o que implicará "quadruplicar o nível de construção existente por um período significativo de tempo". E garantir um aumento da oferta de casas, através de medidas como a aplicação de IVA a 6% em toda a construção e reabilitação, uma isenção temporária da tributação de mais-valias na venda de imóveis para habitação, o fim das rendas congeladas e a revogação do AIMI, que os liberais rebatizam de "Imposto Pinto Luz".

O documento "Iniciativa para Construir", divulgado nesta sexta-feira como "um pacto completo e coeso, que atua na totalidade do problema, tendo efeito real na sua resolução", arranca com o diagnóstico da atual carência habitacional, que a Iniciativa Liberal considera ter como situação mais comparável a que ocorreu no fim dos anos 80, quando mais de 100 mil pessoas viviam em barracas. Pelo que volta a ser necessário acelerar o ritmo de construção, mas ainda alterar uma realidade em que a percentagem de famílias portuguesas a viver em casa arrendada (22%) não só está abaixo da média de 23% na União Europeia como fica muito aquém dos 56% da Alemanha e dos 40% de França.

Entre as medidas para "Construir, construir, construir" defendidas pelo partido liderado por Mariana Leitão destacam-se a criação de um Portal Digital de Licenciamento Urbano, semelhante aos que existem nas Finanças e na Segurança Social, a compilação de todas as regras aplicáveis num Código da Construção e a disponibilização de um catálogo de pré-licenciamento urbanístico automático, com "projetos de casas e edifícios de habitação já desenhados e já verificados, que cumprem à partida as regras urbanísticas, de segurança e de construção". ainda é defendido pela Iniciativa Liberal uma nova Lei dos Solos, "que dê de facto aos municípios margem para aumentar a oferta onde há procura, com regras claras, iguais para todos, e decisões rápidas".

E a aplicação de IVA a 6% para todas as obras de construção e reabilitação com fins habitacionais, "dentro dos limites que as regras europeias permitem, mas sem as condições e exceções que hoje afastam aqueles que querem construir e que têm recursos mais limitados". O pacote ainda visa "Libertar imóveis parados", mas sem as "medidas punitivas" que os liberais associam à governação socialista.

Além do fim do direito de preferência do Estado e dos municípios, que só tem sido exercido em menos de 0,2% do total de transações, pede-se a isenção permanente de Imposto do Selo em contratos de créditos à habitação renegociados ou transferidos, a isenção temporária de mais-valias de imóveis para habitação - num "choque de oferta habitacional" com a duração de um ano -, a revisão do regime de reinvestimento das mais-valias em IRS ou a isenção de impostos nas doações em vida e nas partilhas e venda de imóveis que tenham sido herdados. Numa proposta carregada de simbolismo, tendo em conta os constantes ataques das bancadas à direita ao PCP, a Iniciativa Liberal defende a revisão dos benefícios dos partidos, que se encontram isentos de IMI, IMT e Imposto do Selo sobre os respetivos patrimónios imobiliários, realçando-se que estes declararam mais de 50 milhões de euros em imóveis.

E apela ao inventário público dos imóveis do Estado, considerando que a "resposta honesta" é que não se sabe quantos são, em que estado se encontram e para que servem. O Estado ainda é visado no capítulo "Arrendar como nunca", propondo que um promotor imobiliário, uma cooperativa ou uma família passem a poder apresentar uma proposta para reablitar e colocar no mercado de arrendamento um imóvel público devoluto.

Mas ainda se defende o fim do congelamento de rendas, dirigido aos 124 mil contratos anteriores a 1990, sendo os inquilinos com rendimentos baixos, idade avançada ou deficiência protegidos por um apoio pago pelo Estado, pois "não se pode pedir a um senhorio que faça o papel da Segurança Social". Para os proprietários são advogados menos impostos sobre as rendas de forma permanente, com uma taxa de 10% de IRS em todos os arrendamentos com contratos superiores a três anos de duração destinados a habitação própria e permanente do inquilino ou alojamento estudantil, "pois ninguém investe numa casa para arrendar a 20 ou mais anos com base num benefício que dura três".

E ainda a isenção de IRS para casas vazias há cinco anos que entrem no mercado de arrendamento, durante cinco anos, e o alargamento das deduções de IRS com juros de todos os contratos de crédito à habitação. ainda se propõe que o Porta 65 deixe de ter regras de elegibilidade "confusas" e "penalizadoras" para casais jovens em busca de apoio ao arrendamento, tal como um Código Único que termine com a "manta de retalhos" que a Iniciativa Liberal considera existir.

E ainda a adoção do incentivo à construção para arrendamento que junte auarquias e investidores ou a existência de seguros de renda, de caução ou uma garantia bancária no valor da caução ou das rendas antecipadas, para fazer com que o inquilino "deixe de ter de juntar milhares de euros de uma só vez". Quanto à revogação do adicional ao IMI, que no Orçamento do Estado para 2027 prevê a transferência de 160,8 milhões de euros para o Fundo de Estabilização da Segurança Social, representando 0,3% do seu total, a Iniciativa Liberal argumenta que este incide sobre "quem investe em casas para as pôr no arrendamento".

E, tendo em conta os sucessivos chumbos às iniciativas dos liberais para acabar com a tributação criada em 2017, sugerem que aquilo que ficou conhecido por Imposto Mortágua passe a chamar-se Imposto Pinto Luz, "já que nem o PSD quer acabar com ele".

M.F.Ortiz--ESF