El Siglo Futuro - Ucrânia, Rússia e EUA se reúnem em Abu Dhabi para negociar a paz

Madrid -
Ucrânia, Rússia e EUA se reúnem em Abu Dhabi para negociar a paz
Ucrânia, Rússia e EUA se reúnem em Abu Dhabi para negociar a paz / foto: © AFP

Ucrânia, Rússia e EUA se reúnem em Abu Dhabi para negociar a paz

A Rússia ameaçou, nesta quarta-feira (4), continuar os ataques na Ucrânia caso Kiev não aceite suas condições, justamente quando negociadores russos, ucranianos e americanos se reuniram novamente em Abu Dhabi em busca de uma solução diplomática para quase quatro anos de guerra.

Tamanho do texto:

Vários ciclos de conversações diplomáticas entre as partes não conseguiram alcançar um acordo para encerrar o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado com a invasão russa ao território ucraniano em fevereiro de 2022.

O principal obstáculo das negociações é o destino do território do leste da Ucrânia.

Moscou exige que Kiev retire suas forças de grande parte da região leste do Donbass, incluindo áreas ricas em recursos naturais. Também deseja o reconhecimento internacional de que as terras tomadas na invasão pertencem à Rússia.

A Ucrânia insiste que o conflito deveria ser congelado nas atuais linhas da frente de batalha e rejeita a retirada unilateral de suas forças.

Nesta quarta-feira, o Kremlin insistiu que prosseguirá com a ofensiva até que a Ucrânia aceite suas condições. "Enquanto o regime de Kiev não tomar a decisão adequada, a operação militar especial continuará", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

O porta-voz da diplomacia ucraniana, Gueorgui Tykhy, indicou que Kiev espera que esses encontros revelem "o que os russos e os americanos realmente querem". Ele especificou que se tratam de "questões militares e político-militares".

- A questão territorial -

Para negociar com o chefe do Conselho de Segurança ucraniano, Rustem Umerov, a Rússia enviou seu diretor de inteligência militar, Igor Kostiukov, um oficial da Marinha alvo de sanções dos países ocidentais por seu papel na invasão da Ucrânia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou a Abu Dhabi seu emissário internacional, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner.

Segundo Diana Davitian, porta-voz de Umerov, o primeiro dia de negociações foi concluído e elas continuarão na quinta-feira.

A Rússia, que ocupa quase 20% do país vizinho, ameaçou tomar o restante da região de Donetsk em caso de fracasso do diálogo.

A Ucrânia considera que ceder território estimularia Moscou e que não assinará um acordo que não desestimule a Rússia a voltar a invadir o país. Kiev ainda controla 20% da região de Donetsk.

Se continuar avançando no ritmo atual, o Exército russo levaria mais 18 meses para conquistar toda a região, segundo uma análise da AFP, embora as áreas que permanecem sob controle ucraniano incluam centros urbanos fortemente protegidos.

A Rússia também reivindica como próprias as regiões de Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. O país controla faixas territoriais em pelo menos outras três regiões do leste ucraniano.

A maioria dos ucranianos rejeita um acordo que conceda território a Moscou em troca de paz, segundo pesquisas de opinião, e muitos consideram inconcebível ceder áreas que seus soldados estão defendendo há vários anos.

No campo de batalha, a Rússia avança com as mortes de muitos soldados, com a intenção de desgastar o Exército ucraniano.

Nesta quarta-feira, um bombardeio russo a um mercado na cidade de Druzhkivka (leste) deixou pelo menos sete mortos e 15 feridos, anunciou o governador regional Vadim Filachkin.

O presidente Volodimir Zelensky pressiona os aliados ocidentais e pede mais armas, assim como o aumento da pressão econômica e política sobre o Kremlin.

- "Todos estão fartos" -

Centenas de milhares de ucranianos sofrem com os cortes recorrentes de aquecimento e energia elétrica em Kiev devido aos bombardeios russos em larga escala, que provocaram danos significativos à rede energética da capital.

Os ucranianos são céticos sobre o desenrolar das negociações.

"Acho que é tudo um espetáculo para o público", disse Petro, um morador de Kiev, à AFP. "Devemos nos preparar para o pior e esperar o melhor", concluiu.

Em Moscou, por outro lado, os russos entrevistados se mostram mais otimistas.

"Todos estão esperançosos, todos estão muito otimistas em relação a essas negociações", diz Larisa, uma aposentada com família na Ucrânia e entes queridos na linha de frente.

"Isso tem que acabar algum dia, todos estão fartos", acrescenta Anton, um engenheiro de 43 anos.

C.Ferreira--ESF